Na tentativa clara de se vitimizar diante da gravidade dos fatos, o prefeito interino de Turilândia, José Luís Araújo Diniz, o “Pelego”, divulgou uma nota de “esclarecimento” que, em vez de apresentar respostas objetivas às graves acusações feitas pelo Ministério Público, opta por atacar a imprensa.
A postura chama atenção porque ignora o ponto central da controvérsia: as investigações em curso que apuram possíveis irregularidades.
Declarações partiram do próprio Procurador-Geral de Justiça
Um dos trechos mais sensíveis da nota diz respeito a declarações atribuídas ao Procurador-Geral de Justiça do Estado do Maranhão, Danilo Castro, amplamente divulgadas pela imprensa. Em entrevista pública, o chefe do Ministério Público foi direto ao afirmar:
“E ele mesmo já tá dizendo que não tem condições técnicas de gerir o município.”
A fala não foi criada, distorcida ou interpretada pela imprensa. Trata-se de uma declaração literal, proferida pela autoridade máxima do Ministério Público Estadual e reproduzida fielmente pelos veículos de comunicação.
Neste contexto, a imprensa limitou-se a cumprir seu papel constitucional: informar a sociedade sobre fatos de inequívoco interesse público.
Questionamentos sobre as “providências jurídicas”
Diante disso, surge um questionamento inevitável: as “providências jurídicas” anunciadas pelo prefeito interino também serão direcionadas ao Procurador-Geral de Justiça do Maranhão, Danilo Castro?
Caso contrário, a retórica adotada na nota sugere que a ameaça de responsabilização jurídica recai, de forma indireta, sobre jornalistas e cidadãos que apenas repercutiram declarações oficiais de uma autoridade pública.
Especialistas em direito e comunicação alertam que o uso recorrente de notas de repúdio acompanhadas de insinuações de ações judiciais pode caracterizar uma estratégia de pressão institucional, com potencial de intimidar a imprensa, restringir o debate público e ferir o direito constitucional à informação.
Enquanto isso, seguem sem resposta as perguntas que realmente importam: quais são os esclarecimentos objetivos sobre as acusações investigadas pelo Ministério Público?

