A Quaest, frequentemente apresentada como referência no mercado de pesquisas eleitorais, aparece em uma posição bastante desconfortável em um ranking que avalia o desempenho dos institutos a partir dos resultados divulgados: 67ª colocação entre os institutos de pesquisa do Brasil.
O instituto está classificado na categoria B- e, segundo os dados apresentados na avaliação, registra média de erro de 8,8 em uma escala de até 10. Na métrica utilizada pelo levantamento divulgado no vídeo, isso representa um índice de erro de 88%.
E não para por aí.
Outro dado apresentado chama atenção: a enorme variação nas estimativas de eleitores indecisos. Em uma mesma pesquisa, o percentual teria oscilado de 17% a 64%. Uma diferença dessa magnitude, segundo a própria avaliação apresentada, levanta dúvidas sobre a precisão dos levantamentos e sobre a capacidade do instituto de captar corretamente o comportamento do eleitorado.
É aí que a propaganda de “instituto respeitado” começa a bater de frente com os números.
Pesquisa eleitoral não é bola de cristal, muito menos instrumento para fabricar realidade política. Serve para medir tendências e precisa ser confrontada com metodologia, amostragem, margem de erro e, principalmente, histórico de desempenho.
Quando um instituto aparece apenas na 67ª posição em uma avaliação de desempenho e ainda carrega indicadores tão questionáveis, é legítimo que o eleitor faça perguntas.
Quem pesquisa também precisa ser pesquisado.
E, neste caso, os números apresentados no ranking colocam a Quaest no centro da discussão: afinal, estamos diante de uma fotografia fiel do eleitorado ou de mais uma pesquisa que pode envelhecer mal quando chegar a hora de abrir as urnas?
No fim das contas, a urna não lê pesquisa, não respeita manchete e não obedece a instituto. Ela simplesmente revela o resultado.

