A pesquisa Quaest divulgada na noite desta segunda-feira (24) colocou Eduardo Braide em ampla vantagem na disputa pelo Governo do Maranhão, mas deixou uma pergunta que não pode ser ignorada: onde, exatamente, o instituto foi ouvir os maranhenses?
Embora a legislação permita prazo de até 24 horas para a complementação das informações, até o momento não foram divulgados os municípios e bairros abrangidos pelo levantamento. E isso chama atenção, principalmente porque a pesquisa ouviu apenas 900 eleitores em um estado com 217 municípios.
A questão não é questionar antecipadamente a validade da pesquisa. É cobrar transparência.
Sem saber onde as entrevistas foram realizadas, fica impossível analisar se a amostra representa de fato a diversidade eleitoral do Maranhão. Foram ouvidos eleitores da Baixada? Dos Cocais? Do Médio Mearim? Do Sertão? Do Sul do estado? Ou houve uma concentração maior em São Luís e na Grande Ilha, regiões onde Eduardo Braide possui seu principal reduto eleitoral?
Essa informação não é detalhe. É parte fundamental da metodologia de qualquer pesquisa que pretende retratar a intenção de voto de todo o Maranhão.
Também chamou atenção a distância entre os números apresentados pela Quaest e os resultados divulgados recentemente por outros institutos, que apontaram cenários diferentes para a disputa. Quando há uma discrepância tão grande, a transparência sobre a amostra se torna ainda mais necessária.
A legislação eleitoral estabelece que os municípios e bairros pesquisados, além de outras informações da amostra, sejam disponibilizados dentro do prazo previsto. Portanto, é preciso aguardar o encerramento desse período antes de falar em irregularidade.
Mas uma coisa é certa: pesquisa eleitoral não pode funcionar como caixa-preta.
Se os números apresentados pretendem representar a vontade dos eleitores dos 217 municípios maranhenses, o eleitor tem todo o direito de saber onde essa vontade foi ouvida.
A pergunta que fica é simples — e incômoda:
Onde a Quaest encontrou esse Maranhão que colocou Braide tão à frente dos demais candidatos?
Transparência não deveria ser um problema para nenhuma pesquisa. Pelo contrário: quanto mais claro o método, maior a credibilidade do resultado.


