A pergunta precisa ser feita porque um pré-candidato que se diz confortável nas pesquisas deveria estar apresentando propostas, apontando caminhos e dizendo ao povo o que pretende fazer pelo Maranhão. Quem está seguro do próprio projeto debate soluções. Quem conhece o estado fala sobre o futuro.
Braide, porém, parece fazer o contrário.
Em vez de apresentar um projeto consistente para o Maranhão, prefere concentrar seus discursos em ataques. Em vez de dizer como pretende enfrentar os problemas da população, tenta questionar ou diminuir conquistas. Em vez de discutir o Maranhão real, aposta em conflitos produzidos para as redes sociais.
Essa postura revela, na avaliação de seus adversários, uma visão limitada e distante da realidade do estado. Braide age como se o eleitor fosse decidir o futuro do Maranhão apenas por meio de vídeos, cortes, frases de efeito e postagens na internet. Mas o Maranhão não cabe em uma rede social. O estado precisa ser ouvido, visitado, compreendido e respeitado em toda a sua diversidade.
O incômodo de Braide tem uma possível explicação: ele não esperava encontrar pela frente um pré-candidato preparado, disposto ao enfrentamento político e com conhecimento da realidade dos municípios. Talvez tenha imaginado que poderia atravessar o Maranhão repetindo uma narrativa construída a partir de São Luís. Orleans Brandão, entretanto, tem buscado apresentar uma alternativa a essa estratégia.
Nos últimos anos, como secretário de Assuntos Municipalistas, Orleans percorreu diferentes regiões do estado, conversou com prefeitos, lideranças e comunidades, ouviu demandas e acompanhou de perto problemas concretos da população. Fez aquilo que seus aliados dizem ser uma das principais diferenças em relação a Braide: dialogou com os municípios.
Quando teve a oportunidade de governar São Luís, Braide adotou, segundo seus críticos, uma gestão excessivamente concentrada na Prefeitura e pouco aberta ao diálogo e à construção de parcerias. Em temas que exigiam planejamento, articulação institucional e coragem administrativa, seus adversários entendem que muitos problemas foram adiados em vez de enfrentados.
O transporte coletivo é um exemplo frequentemente citado.
Hoje, Braide critica o Governo do Maranhão em relação ao sistema de ferry-boats, mas seus críticos questionam por que, durante sua gestão, São Luís continuou enfrentando dificuldades no transporte coletivo. O prefeito teve tempo para enfrentar o problema dos ônibus, estrutura administrativa e autorização da Câmara Municipal para avançar em processos relacionados à licitação. Ainda assim, a questão permaneceu sem uma solução definitiva durante seu mandato.
Ao deixar a Prefeitura, Braide também deixou para a administração seguinte uma série de desafios que, na avaliação de seus adversários, poderiam ter sido enfrentados anteriormente.
Enquanto utiliza o ferry-boat como argumento de crítica ao governo estadual, Braide ignora, segundo seus opositores, os esforços realizados pelo governador Carlos Brandão para enfrentar os problemas de mobilidade na Baixada Maranhense. O Governo do Maranhão ampliou a frota e vem buscando alternativas para melhorar o sistema aquaviário, embora reconheça que ainda existem necessidades importantes a serem atendidas.
A diferença, segundo essa avaliação, é simples: enquanto o Governo do Maranhão busca ampliar o diálogo com os municípios e com as comunidades da Baixada, a gestão de Braide em São Luís foi marcada, na visão de seus críticos, por dificuldades de articulação e de construção conjunta de soluções.
Outro exemplo citado está no Residencial Mato Grosso, na Zona Rural de São Luís. O empreendimento, com milhares de unidades habitacionais, representa uma mudança significativa na dinâmica urbana da capital. Um projeto dessa dimensão não pode ser tratado apenas como a entrega de casas.
É preciso pensar em transporte, unidades básicas de saúde, escolas, assistência social, equipamentos públicos, planejamento ambiental e integração com o restante da cidade.
Na avaliação de seus críticos, Braide não teria apresentado uma estratégia suficientemente ampla para preparar a estrutura municipal para essa nova realidade. A chegada de milhares de moradores exige planejamento integrado e articulação entre os diferentes níveis de governo.
Um empreendimento dessa dimensão demanda, portanto, uma ação conjunta entre Prefeitura, Governo do Estado e Governo Federal. Essa articulação é fundamental para garantir que a população tenha acesso não apenas à casa própria, mas também a serviços públicos essenciais.
No caso do Residencial Mato Grosso, há ainda questões ambientais que merecem atenção, especialmente em razão da localização e da proximidade com áreas de importância ecológica. Esse cenário reforça a necessidade de planejamento urbano e ambiental.
O Governo do Maranhão, em articulação com o Governo Federal, também teve participação na construção de soluções para viabilizar o projeto. Mas, para a população, o desafio vai além da entrega das moradias. Casa própria é um direito, mas moradia digna exige muito mais do que receber as chaves. Exige saúde, transporte, mobilidade, educação, assistência social, infraestrutura e condições reais de vida.
Esse é um dos pontos que os críticos de Braide consideram que ele tenta evitar no debate político.
Em vez de apresentar uma visão mais ampla para o Maranhão, prefere concentrar seus ataques em Carlos Brandão e Orleans Brandão. Seus adversários questionam por que ele não apresenta, com a mesma intensidade, suas propostas para os grandes problemas do estado.
Por isso, quanto mais a disputa eleitoral se aproxima e mais a realidade da gestão municipal é colocada em debate, mais intensa se torna a troca de críticas entre os grupos políticos.
Mas há ainda outro elemento nessa disputa.
A aproximação de Braide com setores da direita e do bolsonarismo também levanta uma questão política: estaria o ex-prefeito tentando atingir o presidente Lula por meio de seus principais aliados no Maranhão?
Carlos Brandão e Orleans Brandão integram um campo político que mantém diálogo com o presidente Lula e possui forte presença institucional e territorial no estado. Para seus aliados, essa força política representa um importante ativo eleitoral. Por isso, ambos se tornaram alvos frequentes dos ataques da oposição.
Na avaliação de seus adversários, os ataques de Braide teriam, portanto, dois objetivos: desgastar o Governo do Maranhão e enfraquecer o campo político alinhado ao presidente Lula no estado.
Essa é a interpretação que seus opositores fazem do movimento político de Braide. Para conquistar espaço junto ao eleitorado bolsonarista, ele precisaria se posicionar contra aqueles que representam, no Maranhão, um dos principais palanques políticos de Lula.
Braide tenta apresentar-se como um gestor moderno e independente. Mas seus adversários lembram que São Luís ainda enfrenta problemas estruturais e que muitas questões permaneceram sem solução durante sua administração.
Agora, ao tentar ampliar seu espaço político para além da capital, ele terá de responder a uma pergunta simples: qual é, afinal, o seu projeto para o Maranhão?
O debate eleitoral não pode se resumir a ataques, vídeos e disputas nas redes sociais. O Maranhão precisa discutir saúde, educação, segurança, infraestrutura, geração de emprego, desenvolvimento regional, mobilidade e combate à pobreza.
O eleitor maranhense merece conhecer propostas concretas e saber o que cada pré-candidato pretende fazer para transformar a realidade do estado.
No fim, a população saberá distinguir quem apresenta propostas e trabalha para construir soluções de quem prefere transformar a política em uma sucessão de ataques.
Por Marlon Botão, ex-secretário de Cultura de São Luís, marqueteiro e militante político há mais de 40 anos.
fonte:oinformante

