O que já parecia estranho agora começa a ganhar contornos de contradição explícita — e, para muitos, até de incoerência política.
O grupo de oposição “44” em Santa Helena reúne figuras que, até pouco tempo, estavam firmemente posicionadas ao lado do governador Carlos Brandão. Entre elas, o ex-prefeito Lobato, historicamente vinculado à esquerda; o ex-deputado Hemetério Weba, aliado de longa data do governo; e Josinaldo Moraes, que também sempre orbitou a base governista. Soma-se a esse bloco a pré-candidata Natássia Weba e o deputado federal Pedro Lucas Fernandes, cujo partido integra a base de apoio do próprio governador.
Mas, na prática, o discurso tem sido outro — e bem diferente.
Nos bastidores e, principalmente, nas redes sociais, apoiadores do grupo 44 passaram a atacar diretamente o governo que, em tese, parte de suas lideranças ainda integra ou sempre integrou. Críticas, insinuações e até tentativas de desgaste político contra Carlos Brandão e seus pré-candidatos têm sido compartilhadas com frequência, criando um cenário de dupla narrativa: uma institucional, outra digital — e completamente desalinhadas.
O resultado disso é um ambiente de desconfiança. Para a população de Santa Helena, fica a sensação de oportunismo: o grupo quer ser governo e oposição ao mesmo tempo? Apoia em São Luís e ataca no município? Caminha com um projeto enquanto alimenta outro nos bastidores?
A cobrança já começou — e não é pequena. Eleitores e lideranças locais exigem um posicionamento público, direto e sem rodeios. Afinal, o grupo 44 está com Carlos Brandão ou contra ele?
Porque, do jeito que está, parece menos estratégia política e mais um jogo duplo que pode custar caro em credibilidade.
Até agora, o que existe não é estratégia — é conveniência travestida de política. Com a palavra, os líderes do grupo 44.

