O caso envolvendo o Hospital da Criança, em São Luís, ganhou repercussão nacional neste sábado (1º) após reportagem do UOL revelar detalhes das investigações que apuram pelo menos 297 mortes de crianças registradas nas UTIs da unidade entre janeiro de 2024 e junho de 2026. O caso é alvo de investigações da Polícia Civil, do Ministério da Saúde, do Ministério Público, da Defensoria Pública e do Tribunal de Contas do Estado do Maranhão (TCE-MA).
De acordo com a reportagem, as apurações buscam identificar possíveis falhas na gestão hospitalar, suspeitas de negligência médica e o impacto da terceirização das UTIs para o Instituto Brasileiro de Serviços Médicos (Ibmed), iniciada em outubro de 2025. Dados de auditoria do SUS apontam aumento expressivo na taxa de mortalidade após a mudança de gestão.
Na UTI 1, destinada aos casos mais graves, a taxa de mortalidade passou de 13% em junho de 2025 para 38% em junho de 2026. Já na UTI 2, voltada para pacientes de menor gravidade, o índice subiu de 13% para 33% no mesmo período de comparação.
A crise provocou forte reação de familiares. No último dia 16 de julho, pais e mães de crianças que morreram na unidade realizaram um protesto em frente ao hospital, onde fincaram cruzes em homenagem às vítimas e cobraram respostas das autoridades.
Auditoria preliminar do Ministério da Saúde identificou ainda que 77% dos médicos contratados para atuar nas UTIs não possuem residência em pediatria nem capacitação específica em terapia intensiva pediátrica, contrariando normas do Conselho Federal de Medicina (CFM) e da Anvisa. O relatório também aponta redução do número de especialistas após a terceirização, passando de 53 para apenas 18 profissionais.
Diante das denúncias, o TCE-MA concedeu prazo de dez dias para que a Prefeitura de São Luís, a Secretaria Municipal de Saúde, a direção do Hospital da Criança e o Ibmed apresentem esclarecimentos e documentação sobre a rotina das UTIs, escalas médicas, número de óbitos e contratação de profissionais.
Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde negou irregularidades, afirmou que não houve aumento de mortes decorrente da terceirização e destacou que o hospital recebeu classificação de “alta conformidade” em avaliação da Anvisa. O Ibmed também negou qualquer irregularidade e informou que segue todas as normas sanitárias vigentes.
Enquanto isso, o Ministério Público acompanha os relatórios dos órgãos de fiscalização e aguarda a conclusão das investigações para definir eventuais responsabilidades de gestores e profissionais envolvidos. O caso segue entre os mais sensíveis da saúde pública maranhense e continua mobilizando autoridades e familiares das vítimas.

