*Artigo: Braide abraça o bolsonarismo, mas ainda quer os votos de Lula*

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Por Marlon Botão, ex-secretário de Cultura de São Luís, marqueteiro e militante político há mais de 40 anos

No fim das contas, a política é mais simples do que parece. Não é esse emaranhado de discurso difícil que muita gente tenta vender. Política, na prática, é escolha. É lado. E, no Maranhão, essa escolha nunca esteve tão clara quanto agora.

De um lado, Orleans Brandão decidiu caminhar com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. E essa decisão não é por conveniência, nem por cálculo pequeno. É uma escolha baseada no que aconteceu de verdade nos últimos anos. Foi com Lula que o Maranhão voltou a receber investimento consistente, foi com Lula que políticas sociais voltaram a funcionar, foi com Lula que o dinheiro começou a chegar na ponta, onde o povo mais precisa.

Quem vive a realidade sabe. Não é teoria. É o Bolsa Família reforçado, com valor maior e com a exigência de que as crianças estejam na escola. É comida chegando na mesa de quem antes passava aperto. É dignidade voltando a fazer parte da vida de muita gente. E é também investimento em educação, abrindo caminho para que jovens do Maranhão possam estudar, se formar e ter uma profissão sem precisar abandonar o estado.

Esse movimento não acontece sozinho. Ele se conecta com uma visão de governo que entende que o Maranhão precisa de parceria com o governo federal para crescer. E foi exatamente isso que se construiu: obras, programas, apoio direto em áreas essenciais. Não é favor, é política pública funcionando.

E isso aparece de forma concreta, no dia a dia das pessoas. A nova extensão da Litorânea, em São Luís, com seus 7 quilômetros ligando o Olho d’Água ao Araçagi, com ciclovia, iluminação e espaço para o transporte público, é um exemplo visível disso. A Avenida Metropolitana, pensada para integrar São Luís, São José de Ribamar, Paço do Lumiar e Raposa, mostra como planejamento e investimento podem melhorar a mobilidade de toda uma região. No interior, o Contorno Rodoviário de Timon, com recursos do Novo PAC, ajuda a reorganizar o tráfego e impulsionar a economia local.

Na educação, os avanços também são claros. A expansão das escolas de tempo integral, a inauguração de unidades como o Centro de Ensino Eurico Ribeiro, em Presidente Dutra, e o fortalecimento da rede de ensino técnico estão abrindo novas possibilidades para milhares de jovens. E quando se fala em garantir o básico, entram os Restaurantes Populares, os investimentos em segurança alimentar e o apoio à agricultura familiar, garantindo comida na mesa de quem mais precisa.

Nada disso nasceu por acaso. Só chegou ao Maranhão porque houve parceria direta entre o Governo do Estado e o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. E nesse processo, o papel de Orleans Brandão foi de articulação, de presença, de construção de caminho para que esses investimentos saíssem do papel e virassem realidade.

Do outro lado está Eduardo Braide. Um político que passou boa parte do tempo tentando esconder essa realidade. São Luís recebeu milhões em investimentos federais ao longo dos últimos anos, em áreas como educação e saúde, que viabilizaram creches, reformas e ampliação de serviços. Mas isso nunca foi assumido com clareza.

E não foi por acaso.

Braide escondeu porque não queria ser associado ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Preferiu apagar a participação federal para não se comprometer politicamente, mantendo esse jogo de ambiguidade o máximo que pôde.

Agora não dá mais para esconder.

Os movimentos mais recentes da pré-campanha deixam isso evidente. O primeiro grande gesto político de Braide foi anunciar como pré-candidata a vice-governadora uma empresária bolsonarista, sem trajetória na vida pública e distante da realidade da maioria da população. Natural de Anápolis, ela se apresenta como admiradora de figuras como Nikolas Ferreira.

Não parou por aí.

Braide também passou a se cercar de nomes mais duros do bolsonarismo. Entre eles, o vereador Ricardo Seidel, que já chegou a defender intervenção militar no país e que hoje atua na articulação política do grupo em regiões estratégicas como a Tocantina. Não é coincidência. É alinhamento.

Ao mesmo tempo em que se alia com bolsonaristas do interior do estado, Braide aposta na popularidade que construiu em São Luís para tentar avançar também sobre o eleitor lulista. Procura se apresentar como um gestor técnico, distante das disputas ideológicas, numa tentativa clara de confundir quem vota na esquerda.

Mas esse disfarce não se sustenta.

Basta um olhar minimamente atento aos movimentos da sua pré-campanha para perceber que Braide já fez sua escolha. Abraçou, de forma inequívoca, o campo da extrema-direita, o bolsonarismo e tudo o que esse projeto representa na prática.

E mais: ao longo desse processo, de forma dissimulada, Braide chegou a ensaiar uma aproximação com setores da oposição ao governador Carlos Brandão, muitos deles vinculados ao campo progressista. Deu sinais, alimentou expectativa, mas recuou. Deixou esses aliados pelo caminho e esvaziou qualquer possibilidade de construção conjunta.

Na prática, empurrou esse campo para um cenário de isolamento e, mais à frente, até de humilhação política, ao retirar qualquer espaço real de participação dentro do seu projeto.

Do outro lado, o movimento é diferente.

Orleans Brandão, mesmo já tendo se posicionado com clareza ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, segue dialogando. Aguarda a definição do PT e mantém aberta a possibilidade de que o partido ocupe um espaço estratégico na sua candidatura. A construção ainda está em curso — e depende, em grande medida, da própria decisão do partido.

Isso diz muito.

Mostra quem isola e quem constrói. Quem fecha portas e quem mantém diálogo. Quem joga sozinho e quem entende que política se faz somando.

Por isso, a comparação entre Orleans e Braide não é sobre família, não é sobre origem, não é sobre estilo. É sobre projeto. É sobre que tipo de Maranhão cada um ajuda a construir.

E aí a pergunta que fica é direta, sem rodeio.

Você está de que lado?

Porque, quando se trata da vida do povo, principalmente de quem mais precisa, não existe espaço para neutralidade.

E essa escolha, mais cedo ou mais tarde, todo mundo vai ter que fazer. Eu já fiz a minha. E você?

Fonte:oinformante

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