Entre a empatia e a desconfiança: a política também revela caráter
Há momentos em que um líder é julgado menos pelas obras que inaugura e mais pelas palavras que escolhe. A declaração de Eduardo Braide sobre a manifestação das mães de crianças que morreram no Hospital da Criança de São Luís entrou exatamente nessa categoria.
Ao afirmar que as mães teriam recebido R$ 50 para participar do protesto, Braide colocou sob suspeita a dor de famílias que cobram respostas para uma das maiores crises da saúde pública da capital. A fala provocou forte repercussão e abriu espaço para uma pergunta inevitável: quando a política perde a capacidade de demonstrar empatia?
Enquanto isso, Orleans Brandão seguiu por outro caminho. Em vez de questionar a legitimidade do sofrimento das famílias, preferiu manifestar solidariedade e defender respeito às mães que transformaram o luto em um pedido por justiça.
Na política, cada gesto comunica. De um lado, uma declaração que muitos interpretaram como tentativa de desqualificar um protesto. Do outro, uma postura voltada ao acolhimento e ao diálogo. O eleitor observa, compara e tira suas próprias conclusões.
Afinal, quem perdeu um filho não precisa ser tratado como suspeito. Precisa ser ouvido, respeitado e ter respostas. O resto é disputa política; a dor dessas mães, não.

