A Executiva Estadual do PSB no Maranhão decidiu retirar o deputado estadual Edson Araújo dos quadros do partido. A decisão foi tomada em reunião interna, em um cenário de desgaste político acumulado e pressão crescente diante do avanço de investigações que colocaram o parlamentar no centro de um caso de repercussão nacional.
Edson Araújo é alvo da Polícia Federal na Operação Sem Desconto, investigação que apura possíveis irregularidades relacionadas à inserção de dados em sistemas oficiais e à concessão de benefícios previdenciários. A ação é conduzida com apoio da Controladoria-Geral da União. No decorrer das apurações, o deputado foi submetido a medidas cautelares autorizadas pela Justiça, entre elas mandados de busca e apreensão, retenção de valores em espécie e monitoramento por tornozeleira eletrônica. Os procedimentos seguem em curso, sem decisão judicial definitiva.
O caso também passou a ser analisado no Congresso Nacional. A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito do INSS aprovou a convocação de Edson Araújo para prestar depoimento e autorizou a quebra de seus sigilos bancário, fiscal e telemático. A comissão solicitou ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras o envio de Relatório de Inteligência Financeira com dados detalhados sobre a movimentação do parlamentar.
Informações encaminhadas à CPMI apontam que o deputado movimentou mais de R$ 18 milhões em um intervalo de seis meses no início de 2025, por meio de diversas contas bancárias. Parte relevante desse volume se concentrou em uma conta que registrou cerca de R$ 5 milhões no período, além de outra com fluxo aproximado de R$ 928,9 mil. Os valores chamaram a atenção de órgãos de controle por apresentarem discrepância em relação à renda mensal do parlamentar e ao patrimônio declarado por ele à Justiça Eleitoral.
Relatórios também indicam que, entre maio de 2023 e maio de 2024, Edson Araújo recebeu aproximadamente R$ 5,4 milhões da Federação das Colônias de Pescadores do Estado do Maranhão, entidade que ele presidia e da qual está licenciado. A federação entrou no radar das investigações após a identificação de repasses oriundos da Confederação Brasileira dos Trabalhadores da Pesca e Aquacultura, da qual o deputado ocupa a vice-presidência. A confederação integra o conjunto de instituições analisadas na Operação Sem Desconto, que apura a atuação de entidades associativas no sistema previdenciário.
Parte das transações atribuídas ao parlamentar passou por contas vinculadas a uma agência bancária localizada no bairro Olho d’Água, em São Luís. Os dados financeiros passaram a ser examinados por apresentarem incompatibilidade com os rendimentos formais do deputado estadual, cujo salário líquido ficou em torno de R$ 25 mil em dezembro de 2025, além do patrimônio declarado de R$ 939,5 mil nas eleições de 2022.
A CPMI também ampliou o foco sobre o que seus integrantes classificam como núcleo político do esquema investigado. O presidente do colegiado, senador Carlos Viana, afirmou que a nova etapa dos trabalhos mira agentes públicos que possam ter ligação com a estrutura investigada. O relator, deputado Alfredo Gaspar, apresentou pedido de prisão preventiva de um dirigente de entidade sob suspeita de organização criminosa, estelionato qualificado e lavagem de dinheiro.
O ambiente político em torno do caso ganhou novo ingrediente após o vice-presidente da CPMI, deputado federal Duarte Jr., relatar ter sido ameaçado por Edson Araújo. Duarte registrou ocorrência na Polícia Legislativa da Câmara e solicitou proteção institucional, fato que elevou a tensão entre parlamentares envolvidos nos trabalhos da comissão.
Além da convocação de Araújo, a CPMI aprovou oitivas de advogados e empresários ligados a entidades sob investigação e autorizou novos pedidos de relatórios financeiros e quebras de sigilo de federações de trabalhadores rurais em vários estados, incluindo o Maranhão. A data do depoimento do deputado será definida pelo colegiado nos próximos dias.
Fonte:oinformante

